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you think you're chocolate

when you're chewing gum

Festival de culinária em Toronto

Winterlicious

Uma ótima oportunidade para conhecer os melhores restaurantes de Toronto por um preço acessível a todos é o festival Winterlicious. Durante o período de 28 de janeiro à 10 de fevereiro, o festival de culinária a preço fixo acontece em Toronto. São 120 restaurantes prestigiosos oferecendo almoço ou jantar, pelo preço de $15 a $20 dólares o almoço, e $25 a $35 o jantar. Os menus incluem aperitivo, entrada e sobremesa.

O festival é oferecido pela American Express e acontece em seu terceiro ano. É recomendável fazer reserva antes, em alguns lugares é obrigatório. Membros do cartão podem fazer reservas antes, dia 9 e 10 de janeiro. Bebidas, taxas e gorjeta não estão incluídos.

Para ter uma lista completa dos restaurantes participantes, visite Winterlicious.

braziliant at 11:25 p.m.

10 de janeiro de 2006

Toronto, Al Gore e o Aquecimento Global


Quase meio de Janeiro, e parece ainda outono. Apesar da chuva, passamos o natal e o ano novo sem neve. Seremos a nova Vancouver? Por lá, eles se vêem em meio à neve e frio não-característicos da estação. "O inverno realmente não chegou ao GTA e ao sul de Ontario", diz David Phillips, climatologista do Environment Canada, para o Toronto Star.

O mês de dezembro foi recorde em temperaturas altas; a média foi de 1.9C, ou seja, 4.8 degraus acima da média. Apesar disso, nenhum dia bateu recorde em temperatura, houve apenas uma constância de dias mais quentes. Apenas 32.3 centímetros de neve foram registrados no Aeroporto Internacional de Pearson, lugar principal onde temperatura e neve são medidas. A média anual gira em torno de 115.4 centimetros, sendo 2006 o ano com menor número registrado. Em novembro houve neve, mas não o suficiente para ser medido. "Isso não quer dizer que não haja precipitação", diz Phillips. "Apenas que o ar quente está caindo em forma de chuva, assim como costuma ser o inverno do Oeste".

Claro que para a maioria a surpresa é boa; a impressão de que o inverno será mais curto e quando menos esperarmos será primavera. Nada de neve cinza nas ruas, botas molhadas, frio pré-neve insuportável, pistas escorregadias e perigosas - para motoristas e pedestres. Para a cidade, o inverno sem neve implica em menos gastos. Os contratos com operadores de máquinas de retirar neve continuam a ser pagos dos $62 milhões de orçamento direcionados a eles, pois pagam uma base mensal para os trabalhadores e para os equipamentos, nevando ou não. Apesar disso, espera-se que o governo economize de $5 a $6 milhões esse ano.

Por outro lado, sofre quem tem negócio dependente das atividades no gelo. Ski resorts não podem abrir suas pistas por falta de neve, assim como a pesca no gelo não pode ser praticada. Em torno de 1.300 funcionários foram dispensados do resort de Blue Mountain, em Collingwood, por falta de trabalho. Nevar não é suficiente - o inverno e suas baixas temperaturas são necessárias para as atividades poderem voltar normalmente. A pesca no gelo, por exemplo, requer um lago profundamente congelado. Se o gelo não se solificar de forma apropriada, o lago ficará instável, pouco seguro, e teremos uma estação muito curta, porque o gelo irá derreter muito cedo.

Outra má notícia que muitos preferem ignorar é o motivo para a falta de neve. Sim, o aquecimento global. O tema fica cada vez mais em evidência e, apesar de muitos acharem que não passa de especulação, o mês de janeiro prova que realmente está acontecendo. Em "An Inconvenient Truth", documentário de Al Gore, ele avisa; "Já estamos no período de consequências". Podemos ainda não ter sido atingidos por elas, mas catástrofes como o Katrina e o primeiro furacão no Brasil, em Santa Catarina, são consequências do aquecimento global.

E quando pensamos em consequências a longo prazo, logo nos exluimos de responsabilidades, mesmo temendo por nossos filhos e netos. É difícil fazer algo a respeito de um talvez que pode ter efeito daqui cem anos, talvez duzentos. Mas é aí que nos enganamos.

Al Gore apresenta gráficos mostrando a quantidade de emissão de combustíveis fósseis, que causam o aquecimento global. Após a revolução industrial, quando se deu início a emissão dos gases na atmosfera, as taxas têm sido mais altas do que nos últimos 600,000 anos. A temperatura geral já subiu 0.6C, e ainda vai subir mais 0.5C, porque após a emissão o nível fica intacto por mais um século. Previsões mostram que, se nada for feito a respeito, já em 2050 haverá a dizimação de peixes e florestas, o Ártico não terá mais gelo, milhões estarão passando fome e haverá a extinção de mais de um milhão de animais. As praias da Europa estarão muito quentes, enquanto as do Hemisfério Sul serão insuportáveis. O inverno será cada vez menos frio. Podemos dizer adeus às estações de esqui na Europa, e à patinação no gelo do lado de fora.

Por outro lado, é precipitado dizer que o clima mudou definitivamente; até porque no ano que vem podemos estar enterrados em neve! De qualquer forma, é imprescindível se informar sobre o aquecimento global. Não é brincadeira.

braziliant at 9:23 p.m.

10 de janeiro de 2006

Brasileiros em Toronto

Pra quem não mora em Toronto não vai entender, mas isso é o que costuma acontecer com a maoiria dos brasileiros - intercambistas - aqui..


1. Foto de neve no orkut... "Eu caindo pela milésima vez".. "Toronto é assim".. etc..
2. Estudar na ILAC.... ou no Centro Linguistica.. só tem brasileiro!!!
3. Vir fazer curso de ingles e estudar só o primeiro mês
4. Homens: colocam foto no orkut com alguma canadense na balada que eles mal conhecem...
5. Só frequentar o Bola - Maná - Blue Night
6. Não saber falar inglês e não querer aprender
7. Não dar gorjeta e achar uma folga ter que dar
8. Beber Canadian... ou Budweiser..
9. Foto na CN Tower.
10. Foto no Hard Rock em frente ao Eatons (???)
11. Foto no High Park.. "outono!"
12.Fazer a viagem dos chinas em 3 dias e colocar fotos "Montreal", "Ottawa" como se tivesse percorrido o Canadá inteiro
13. Estudantes da The Guvernment
14. Estudantes que nunca tomaram nenhuma droga no Brasil e aqui acham cool...
15. Os famosos caça-canadenses... namorar um canadense é 'status'
16. Trabalhar na limpeza...
17. Morar na Dufferin
18. Estar no Canadá e achar que continua no Brasil...
19. Reclamar das leis
20. Achar que sempre vai dar um 'jeitinho' brasileiro em tudo
21. Ser pão duro..
22. Viver no Dufferin Mall... só se escuta português por lá
23. Reclamar da comida da Homestay
24. Viver sem dinheiro
25. Ir pra Tonic às quintas e Momentus
26. Comprar celular e ir embora sem pagar a conta
27. Dar rombo em cartão de crédito e ir embora
28. Sair com a blusa do Brasil pra todo lugar... recém chegados...
29. Sempre pedir o que for mais barato no bar
30. Pegar o troco todo de volta e deixar 50 centavos de gorjeta
31. Fotos em algum bar em downtown com a pitcher
32. Tirar foto com amigos do cursinho 'meu amigo coreano'


braziliant at 7:17 p.m.

4 de janeiro de 2006

ABORTO: direito de escolha?

O aborto no Brasil só é permitido em casos de estupro ou quando existe risco de vida para a mulher. Por aqui, as coisas são bem diferentes. Apesar de algumas restrições, o aborto no Canadá é permitido por lei desde 1988. O acesso é um dos mais liberais do mundo, com mais de 110 mil abortos feitos por ano. Aproximadamente 90% dos abortos são feitos no primeiro trimestre, e de 2 a 3% após as 16 semanas. As operações são executadas e pagas pelo Medicare, sistema de saúde pública do Governo. Um terço dos hospitais, e também clínicas privadas, executam a operação.

Legalização
O movimento pela legalização do aborto no Canadá começou em 1967. O então ministro da Justiça, Pierre Trudeau, introduziu uma emenda que se tornou lei em 1969, aprovando o aborto desde que a vida da mulher estivesse em risco, o que deveria ser confirmado por um comitê de 3 médicos. A mesma emenda legalizou o homossexualismo e a contracepção, marcando a famosa frase de Trudeau: "O estado não diz respeito ao que a nação faz em seus quartos".

Enquanto muitos canadenses se opuseram à liberalização das leis de aborto, outros acreditavam que ainda não era suficiente. Os comitês de três médicos eram inconsistentes e muitas vezes levavam semanas a dar uma resposta. Henry Monrgentaler, médico em Montreal, não querendo desrespeitar as regras, inicialmente se recusou a fazer abortos em pacientes que o procurava. Após algum tempo, disse não ter conseguido suportar o sofrimento das mulheres, desesperadas, e passou a praticar abortos seguros em sua clínica, agindo contra a lei. Em 1973, Morgentaler prestou depoimento dizendo que teria feito 5 mil abortos sem a permissão do comitê.

O governo de Quebec levou Morgentaler para a corte duas vezes, e em ambas o júri se recusou a condená-lo, apesar de sua confissão. O governo apelou, mudando o veredito do júri. Ele foi então condenado a 18 meses de prisão. A revolta do público sobre a apelação da corte fez com que o governo federal declarasse a lei inaplicável. Mas só em 1988 a Corte declarou que a lei contra o aborto no país era inconstitucional; assim como "forçar uma mulher, sobre ameaça de punição criminal, a carregar um feto até o nascimento, sem ela atingir um certo critério, de acordo com suas prioridades ou aspirações", e que o Estado não deveria ter controle sobre a capacidade da mulher de reproduzir, sendo um direito dela, garantido no Canada's Charter of Rights and Freedoms.

"O direito à liberdade... garante um grau de autonomia à pessoa sobre decisões importantes que afetam intimamente sua vida privada. A decisão de terminar ou não com uma gravidez é uma questão moral e em uma sociedade democrática livre, a consciência do indivíduo deve estar acima do estado". (Wiki).

Pró-Vida e Pró-Escolha: Controvérsia
Representando os dois extremos, estão os Pró-Vida e os Pró-Escolha. Pró-Vida é um termo representado pela camada da sociedade mais conservadora, ativistas em bio-ética, que se opõem à praticas como eutánasia, clonagem, pesquisas com células-tronco e a pena de morte, mas em sua grande maioria, os Pró-Vida se opõem ao aborto e apóiam os direitos do feto. Em sua maioria, esse grupo está ligado a crenças religiosas, como o catolicismo.

Muitos dos ativistas do Pró-Vida acreditam que a vida é dada a partir da concepção, ao invés do nascimento ou algum ponto entre os dois. Qualquer destruição proposital pode ser considerada eticamente e moralmente errada, inclusive a eutanásia, que acontece quando a pessoa deseja acabar com a própria vida. Alguns conservadores mais radicais são contra os métodos contraceptivos, como a pílula do dia seguinte, pois pode causar a morte do embrião. Nem todos são contra o aborto em todas as situações; alguns, mesmo contra, não sentem que tem o direito de limitar o direito dos outros de ter acesso a essa escolha.

Mas nem só de protestar contra o aborto consiste o trabalho dos Pró-Vida. Existem clínicas de apoio para a mulher grávida, tentando buscar outras opções e soluções, como a adoção.

(wikipedia) Pró-Escolha
Os adeptos do Pró-Escolha tem uma visão mais política do tema, deixando de lado crenças religiosas. Acreditam que a mulher deve ter total controle sobre sua fertilidade e gravidez, priorizando sua liberdade individual. Um dos argumentos mais fortes do grupo tem como base a eterna questão de quando começa a vida. Nas primeiras semanas de gravidez, que é quando o aborto é aprovado pela maioria dos Pró-Escolha, não existe sistema nervoso, cérebro ou sentimentos - o embrião é menor do que um grão de milho.

Outro argumento forte seria de que os abortos existem de qualquer maneira, restringidos ou não. Proibir o aborto apenas cria situações de risco para a mulher, com milhares de mortes causadas em clínicas clandestinas. As mulheres sem condições financeiras recorrem a remédios abortivos, podendo sangrar até a morte, ou utilizando métodos poucos seguros, por pessoas sem qualificação. Quem tem dinheiro recorre a clínicas privadas.

Nos EUA, de acordo com a teoria do Efeito Roe, se os Pró-Escolha tem mais chances de abortar, e se na sociedade os valores são transmitidos de pai para filho, logo existirá toda uma geração Pró-Vida, pois serão mais numerosos; em oposição aos Pró-Escolha, que deixarão de existir. Com a demografia dos que votam a favor do aborto diminuindo, o suporte para abortos ilegais irá decair no decorrer do tempo. Ou seja, o aborto legal pode aumentar a dominação dos Pró-Vida na sociedade.

O efeito Roe é uma teoria a longo prazo do efeito do aborto, na balança politica dos EUA, que sugere que já que os que apóiam direitos de aborto causam rombos em sua própria base política, a prática do aborto vai acabar sendo extinguida, restrita e legalizada. Segundo a teoria, as taxas de aborto são altas nos estados que elegem um legislador Pró-Vida, e mulheres religiosas Pró-Vida tem tantas chances de abortar quanto as Pró-Escolha.

Ambos os grupos são produtos de crenças politicas, e usam termos que propositalmente tentam definir suas filosofias na melhor luz possível, tentando, por definição, descrever o outro grupo da pior maneira. Pró-Escolha implica em um ponto contrário, que seria a falta de escolha, enquanto o Pró-Vida implica que a outra única alternativa é pró-morte ou anti-vida. Similarmente, cada grupo usa o termo "direito"; "direitos reprodutivos", "direitos do feto", tentando invalidar o outro, implicando que direito é uma coisa boa, e o contrário invalida o ponto de vista alheio.

Pró-vida usam termos como 'mãe', 'criança', 'bebê', 'infantícidio', enquanto os Pró-Escolha usam o termo' zigoto', 'embrião', 'feto'. Cada lado acusa o outro de usar termos de acordo com suas preferências. (Wikipedia)

Vida
Na eterna discussão sobre em que ponto se dá a vida - se desde o momento da concepção, se depois do primeiro trimestre, ou no nascimento, a Corte declarou; "não cabe a nós resolver a difícil questão de quando a vida começa. Quando aqueles treinados nas respectivas disciplinas de medicina, filosofia e teologia são incapazes de chegar a um consenso, o judiciário, nesse ponto de desenvolvimento de inteligência e conhecimento do homem, não está em posição de especular o assunto".

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o aborto só existe quando o peso do embrião ou feto ultrapassa 500g. Este peso é atingido em torno de 20-22 semanas de gravidez.

Para a grande maioria dos religiosos, a vida começa na concepção, que é o instante em que o espermatozóide penetra a parede do óvulo - 'surgindo a alma definidora da condição humana'. Ou seja, de acordo com essa definição, uma pílula do dia seguinte facilmente seria considerada um abortivo. Helio Schwartman questiona em sua coluna, na Folha; "Será que a alma leva todo esse tempo para ser soprada no novo ser? Pior, se assumimos todas as conseqüências dessa noção, mulheres que usam DIU ou tomam a pílula do dia seguinte deveriam ser processadas como assassinas, pois esses métodos contraceptivos impedem que o concepto --já com alma-- se implante no útero."

"Infelizmente, da concepção ao nascimento, não há um instante biológico privilegiado, em que se possa dizer univocamente: a partir de agora está vivo", diz o jornalista. "Se o critério é dado pelas determinações genéticas, a vida começa na concepção. Se o que importa é respirar, vale o nascimento. Haveria uma miríade de outros momentos sugestivos, como o início das batidas do coração (quarta semana), a possibilidade de detecção de ondas cerebrais (seis semanas), parecer-se com um bebê (12 semanas)".

No Brasil
Para a lei e a jurisprudência brasileira, "pode ocorrer aborto desde que tenha havido a fecundação" (STF).

O aborto é tipificado como crime contra a vida, pelo Código Penal brasileiro, e protege, desde o primeiro momento, a vida do feto. Em julho de 2004, o ministro Marco Aurelio de Mello, do STF, autorizou uma liminar que permitia a interrupção da gravidez nos casos de anencefalia - casos de bebês sem formação de cérebro. A decisão foi revogada alguns meses depois pelo plenário do tribunal. Até hoje não há o julgamento do processo.

No caso das pesquisa com células-tronco, a maioria dos convervadores é contra porque implica na destruição do embrião, que para eles já é considerada vida. Os estudos com as células-tronco buscam a cura para doenças degenerativas, como diabetes, alguns tipos de câncer e a até coronariopatias. Mesmo assim, a lei não foi aprovada no Brasil.

Com exceção de alguns países - com restrições, não é permitido o aborto na América do Sul. O Brasil, e a maioria da America Latina, ainda é muito ligada a valores religiosos, onde vivem 48% dos católicos do mundo. Em sua maioria, são contra a interrupção da gravidez, a favor da condenação do uso de drogas e defendem medidas mais duras de combate ao crime.

Com a nova bancada da Câmara, não existe perspectiva de mudanças, por ter presença mais religiosa. Lula se diz pessoalmente contrário ao aborto, mas defende os direitos da mulher, o planejamento familiar, a distribuição da pílula do dia seguinte, e criou uma comissão para discutir a legalização do aborto.

Valores
A criminalização do aborto não impede que ele aconteça. Estima-se que a cada ano ocorram de 750 mil a 1 milhão de abortos clandestinos no Brasil - e, em média, 240 mil são internadas pelo SUS, vítimas de abortos inseguros. Legalizar o aborto não quer dizer que todos sejam obrigados a fazer. Quem é contra, está livre para seguir em frente com uma gravidez em caso de estupro, risco para a mãe ou deformidade.

O Brasil está entre os 25% dos países onde a legislação é mais restritiva em relação ao aborto. Somos conservadores, e, em grande maioria, católicos. E todos temos direito de escolher a nossa religião, nossos valores, nossas crenças. Fazemos parte de um estado democrático. Mas exigir que um país ou um mundo inteiro vivam de acordo com essas crenças, não passa de autoritarismo. A Igreja,o Estado e seus representantes não devem obrigar uma mulher a ter um filho. Um país não deve submeter uma nação às mesmas doutrinas de uma religião - não em um estado laico. Dogmas religiosos não devem interferir ou serem considerados na esfera política. O estado não dá condições para uma mãe criar seus filhos, não dá suporte e não tem um sistema de saúde que pode ajudá-la, mas pune criminalmente quem prefere optar por não seguir com a gravidez.

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Mulheres que optam pelo aborto não o fazem como uma solução simples - todas têm instinto materno, um desejo íntimo de ter um filho, uma relação secreta com o embrião que cresce dentro dela, mesmo sem saber se é vida ou não. A decisão de fazer um aborto é provavelmente a mais difícil da vida de qualquer uma, com a qual ela irá lidar para o resto da vida. E todas sabem que, independente de todas as definições de vida, de feto, de alma, o aborto será uma vida que deixará de existir - a vida de seu filho. Será que existe um certo e errado, um preto no branco? Ou um certo e errado pra cada pessoa? Um destino pra cada uma, uma lição, uma história? Deus irá condenar? Se sim, não é algo entre a mulher, e Deus? Será que a mulher não tem o direito de agir de acordo com suas convicções pessoais e valores morais, ela é obrigada a seguir julgamentos humanos atribuídos ao nome de Deus? Não temos todos, direito ao livre arbítrio?

braziliant at 5:06 p.m.

Somos todos corruptos?

Brasileiro é assim mesmo

Ontem escutei, em uma conversa; "O Brasil não tem jeito, só jogando uma bomba e começando tudo de novo. Ainda bem que eu saí de lá."

Fiquei pensando nisso depois. É muito fácil ir morar fora e deixar as coisas como estão, acreditando que “o Brasil não tem mesmo jeito”, que “brasileiro é assim mesmo”. Como se fôssemos algo externo a isso e não tivéssemos nenhuma responsabilidade com esse paíseco de terceiro mundo.

O problema não é que sejamos preguiçosos, irresponsáveis ou que sejamos todos corruptos – o problema é que somos impatrióticos.

Como disse Jaime Pinsky em “Brasileiro é assim mesmo”, aquele que compara São Paulo à Califórnia é o mesmo que faz São Paulo diferente da Califórnia: é o que desiste do seu País, não tendo a menor vergonha de sonegar impostos, corromper fiscais, desviar dinheiro para bancos suíços, pagar mal seus funcionários... Afinal, se não fosse ele, seria outro. Ele não pode sair perdendo, tem que aproveitar todas as oportunidades. Só assim se cresce nesse país. Certo?

"Não-patriota é aquele que acredita que seus conterrâneos são tão idiotas que começa a cogitar outra identidade nacional para si", diz Pinsky. "É egoísta e envergonhado, atacado por uma síndrome primeiro-mundista adquirida em lojas de Miami e shows nova iorquinos que só caipiras americanos ainda freqüentam.”

Não acredito que levantar a bandeirinha brasileira em época de copa seja sinal de patriotismo. Nem que um ataque de nacionalismo resolva os problemas do Brasil. Mas muito tem que mudar.

Mas... e aí? Por que as coisas não funcionam?

Pra começar, o brasileiro é cúmplice do fora-da-lei. É aquele que, na estrada, joga farol alto pro motorista na direção oposta, avisando sobre uma blitz logo à frente.

"Toda corrupção tem uma justificativa. É isso que a mantém, que a realimenta. E nós somos condescendentes com essa corrupção, o que não quer dizer que somos todos corruptos. Muitos acreditam não passarem de vítimas inocentes, que apenas tentam tornar viáveis seus negócios – como o comerciante sonegador quando paga ao fiscal", explica o autor.

Pinsky cita diversos tipos de corrupção; desde o engenheiro de obras que é assessor da prefeitura e libera plantas para construção de projetos e, coincidentemente, tem uma firma de projetos arquitetônicos, até o mega-corrupto, que é um homem poderoso que trabalha no serviço-público e coloca importantes serviços deste a serviço daquele, com relações estreitas com ministros, deputados, prefeitos, governadores – criando um micro-estado dentro do Estado.

Portanto, minha conclusão pode ser óbvia e ingênua, mas, se quisermos fazer algo pra mudar as coisas, comecemos com pequenas atitudes. Paremos de tentar burlar regras. Paremos de ser condescendentes com a corrupção, como as pessoas com boa renda que recebem Bolsa Escola e Renda Minha.

É vergonhoso ver a falta de civilidade das pessoas em várias situações do dia-a-dia. As pessoas não se respeitam, saem correndo desesperadas por “aquele” lugar no ônibus, no metrô, ignorando pessoas idosas, gestantes, deficientes. No trânsito as coisas não são muito diferentes – ninguém respeita pedestre, sinalização, o motorista que não sai voando assim que o sinal fica verde, leva várias buzinadas e xingamentos. É absurdo.

Jogar papel na rua, não apertar a descarga em banheiros públicos, etc. – tem descaso maior?! É um desrespeito à você e à sua cidade. Tirar a bandeija que você utilizou da mesa da praça de alimentação – ninguém gosta de sentar em uma mesa suja. O que custa?

Pode parecer tudo muito bobo e primário – mas são nos pequenos detalhes que se faz um país decente.


braziliant at 5:01 a.m.

2006-12-18

The Pursuit of Happyness (2006)

I am happy right now. It is a fleeting moment.


Confesso que estou apaixonada pelo Will Smith, depois de assistir "The Pursuit of Happyness". Não só pelo Will Smith, e sua excelente (!) performance, como por Chris Gardner, o personagem da vida real interpretado por Smith. Entrei no cinema esperando uma comédia ou um filme clichê de natal, e saí do cinema escondendo as lágrimas... e muitos céticos de plantão terão que abrir mão e dizer o mesmo.

Will Smith é um vendedor do que se chama bone scanner - uma máquina enorme que ele carrega pela cidade. Usou seus life savings para comprar dezenas das promissoras máquinas que, depois descobrira, eram obsoletas e excessivamente caras. Ele e sua mulher, que trabalhava double shifts, com um filho, (interpretado na vida real pelo verdadeiro filho de Smith), eram incapazes de pagar as contas. Deviam o aluguel, o day care, e taxas de parking para o governo. A mulher, cansada, descrente e deprimida, abandona o marido com o filho, de cinco anos. A partir daí vemos Chris se afundar em dívidas, expulso de sua casa e preso por causa de multas. Will Smith não deixa o filme virar drama - assistimos a várias cenas engraçadas com seu azar inacreditável. Andando pela rua, frustrado, observa um homem de terno estacionar seu Porsche, e pergunta; "O que você faz da vida?!". O outro responde, bem humorado, "Sou um stock broker". Chris fica determinado, por sempre ter sido inteligente, a se tornar um também.

Nisso acontece o que normalmente pensaríamos que seria a reviravolta - Chris, negro e sem formação superior, é escolhido com outros vinte entrevistados, por sua perserverança e possível potencial, a ser um dos estagiários da empresa. O estágio não paga, apenas treina, e só depois de seis meses um dos vinte é escolhido para ser contratado. Chris pensa em não aceitar; tem um filho para cuidar. Escolhe seguir o seu sonho; então trabalha de graça para a agência e continua vendendo as máquinas - o que parecer ser a grande piada do filme - as enormes máquinas.

O filme em algum ponto se arrasta - as tragédias e o azar de Chris parecem intermináveis, chegando a parecer um pouco demais. Ficamos esperando o momento da reviravolta, o momento em que ele será contratado, sua vida irá mudar, vamos ver o dinheiro e tudo vai ficar bem - talvez com alguma lição de moral, a volta de sua mulher; a perda de algum valor em detrimento do dinheiro, mas não. O buraco fica cada vez mais fundo, a pobreza, como um polvo, parece continuar a puxar ele para baixo. Vamos cada vez mais pro buraco com ele, nos desapontamos cada vez junto dele, dormimos no chão do banheiro com ele, nos vemos em meio aos homeless brigando por um lugar no shelter, lado a lado.

O filme é simplesmente fantástico. É real, é pesado, é inspirante. Will Smith, depois de várias comédias meia-boca, mostra que seu lado dramático é o mais forte. E não só isso, também rimos, e rimos bastante. A quimíca com seu filho funciona perfeitamente, nos emocionando e lembrando porque ele não desiste nunca. A cena de Will Smith com os olhos vermelhos; segurando as lágrimas e tentando manter a postura é simplesmente impagável.


Para algumas pessoas, é inevitável não rever seus conceitos de família, valores, sistema e sociedade. Fiquei me perguntando se algumas pessoas interpretariam o filme como uma mensagem de que o dinheiro traz a felicidade. Mas o filme não é sobre enriquecer. É sobre assumir as responsabilidades por você mesmo, sua vida e sua família. O sucesso não é garantido.

Será que a mensagem de individualismo, do famoso mito americano de que "se cada um se esforçar o suficiente consegue o que quiser", é realmente verdadeiro? O sucesso é medido pelo dinheiro? E a riqueza? Não, a não ser que você considere riqueza o acumulo de bens materiais que podem tornar a sua vida melhor. Riqueza é o acúmulo de sabedoria, conhecimento, caráterer, disciplina, riqueza, família e amigos. É fato que sorte influencia, mas a determinação, quando se pode desistir em frente a tudo desabando ao seu redor, nos passa uma mensagem enriquecedora, revitalizante, que nos dá combustível para levantarmos e seguirmos em frente. Idealismo? Capitalismo selvagem? Meritocracia? Não é importante todo ser humano se lembrar de que é capaz de conseguir o que quiser, ou pelos menos acreditar nisso?

Passado em 1981, em nenhum momento vemos o personagem culpar o governo ou atribuir a culpa de suas dificuldades a problemas raciais ou sociais. Teria sido muito mais fácil se ele tivesse desistido da internship, conseguido outro trabalho e sobrevivido salário por salário, mas ele não desistiu. Ele sobreviveu porque tinha um grande sonho, e essa é a mensagem do filme. É fato, a história fica na cabeça, mesmo horas depois de ter saído do cinema. O ideal seria se fizéssemos algo com todos os sentimentos bons e a motivação que o filme desperta em nós, no melhor lado do nosso caráter.


"One of the things young people always ask me about is what is the secret to success," Chris says. "The secret is there is no secret. It's the basics. Blocking and tackling. And more important than that, find something that you love. Something that gets you so excited you can't wait to get out of bed in the morning. Forget about money. Be happy. That takes a certain amount of boldness to say, 'This is what I like.'



Trailer: http://www.sonypictures.com/movies/thepursuitofhappyness/clipspage/index.php
Chris Garner: http://www.chrisgardnermedia.com/main/photos.htm
Imdb: http://www.imdb.com/title/tt0454921/

braziliant at 4:59 a.m.

Where would we be without our crazy childhoods?

Running with Scissors (2006)


Publicado com grande sucesso em 2002, e adaptado para o cinema em 2006, “Running with Scissors”, de Augusten Burroughs, conta as histórias de infância do autor - memórias de abandono, homossexualismo, doenças mentais, pedofilia e drogas psiquiátricas. O que parece ter ingredientes mais do que suficiente para o drama do ano, é exatamente o contrário. O autor se recusa à auto-piedade, contando sua história com senso de humor único e intrigante.

Augusten teve infância e adolescência conturbadas – sua mãe, Deirdre (Annette Benning) maníaca-depressiva, egoísta, cheia de raiva, sonha em ser uma famosa escritora capaz de ganhar o prêmio Nobel – vive em luta com seu ‘subconsciente’ para se liberar e finalmente poder escrever, em meio às drogas psiquiátricas. Seu mantra se torna “colocar a raiva na página”. Raiva direcionada a seu marido alcoólatra (Alec Baldwin).

Com as crises depressivas de Deirdre, Augusten é adotado por seu psiquiatra, o fraudulento Freud, ou Dr. Finch. O filme começa divertido, mas perde completamente o tom após os primeiros quinze minutos. A história cai dentro do buraco do coelho quando a família de Dr. Finch é introduzida, em sua casa com móveis no jardim, paredes rosas e louças sujas espalhadas pela casa.

A família consiste de Agnes, a mulher sofredora e tímida; Hope, a filha mais velha, puritana e superprotetora do pai, que acredita ser um gênio; Natalie, adolescente, rebelde, um pouco mais ‘normal’; e Neil, com trinta-e-poucos, gay e alcoólatra, com quem Augusten teve um caso que ninguém parecia reprovar.

Durante duas horas, vemos uma família lidando com seus conflitos pouco-convencionais e cômicos. Muitas cenas são risíveis por serem tão tristes.

Quem assiste ao filme parece ter de desconfiar da veracidade da história do autor para conseguir encontrar seu humor. Considerar a vida de Augusten e seus acontecimentos bizarros como plausíveis seria dramático para qualquer um. Então rimos.

Comédias negras podem ser bastante subjetivas para o público. O humor surge das disfunções chocantes com as quais os personagens lidam, mas a tragédia absoluta deles pode se tornar irritante e longa. O filme explora temas de psicologia, especialmente psicologia Freudiana, e, de certa forma, o fez de forma magnífica. As teorias de Freud podem ser um pouco exageradas e o filme definitivamente captou isso.

Apesar disso, é difícil conhecer a fundo o personagem de Augusten. Não conseguimos entender sua essência ou como ele pensa – no livro, ao relatar a história, fica mais claro seu caráter – mas no filme, o personagem parece ser jogado de um lado para o outro e perde um pouco sua força. Não conhecemos seu coração ou sentimos algo por ele, não existe construção de personagem ou outras camadas. Um penteado novo e uma echarpe não são desenvolvimento de personagem. O filme falha em mostrar o que fez Augusten se tornar o homem que é hoje.

Ultimamente, parece que um novo estilo de filme vem surgindo; histórias dramáticas com partes iguais de comédia e certa falta profundidade psicológica para os personagens, fazendo-os parecerem apenas cartuns de desenho animado, vivendo num caos gritante. O filme parece conter um pouco da síndrome pós-modernista, que gira ao redor de tentar definir a “condição humana”, o que basicamente quer dizer definir a “humanidade” como fraca e puramente material, escravos de seus genes ao meio em que foi programado, sem vontade própria.

A trilha sonora, nostálgica para quem viveu nos anos 70, determinou o clima das cenas. Cenas que poderiam ser trágicas, tinham como fundo musical trilhas animadas e cômicas, e cenas bizarras e engraçadas tinham como fundo trilhas depressivas. Tudo pelo humor negro.

A maquiagem da personagem de Agnes e de Deirdre estava ‘ao natural’. Rugas, marcas de expressão, todas à mostra – difícil não reparar, por ser tão raro em Hollywood. As duas, também, sendo os personagens mais reais do filme. Agnes como a esposa sofredora, e Deirdre, como a mãe psicótica, que faria qualquer um ter medo de se sentar ao lado da própria atriz, tanto o realismo. Evan Rachel Wood parece mais uma vez interpretar a adolescente rebelde, apenas um ano mais velha do que “Tracy” em “Thirteen”, mas seu personagem acaba mostrando outras camadas no decorrer do filme.

No geral, o filme é divertido. Se fosse ficção, seria uma história difícil de engolir. Mas Augusten sobreviveu para contar tudo. Um pouco longo, difícil de desenvolver e unir o início ao fim, e entender o ‘plot’, mas com ótimo figurino, trilha sonora, atores, fotografia, e garantia de boas risadas.


Os “Finch” da vida real processaram o autor por difamação e ‘exagero’. Augusten, o autor, diz que hoje vive uma vida muito normal e até ‘entediante’. Após “Running with Scissors”, Augusten também escreveu “Dry”, sobre sua recuperação do alcoolismo. Augusten é considerado um dos autores mais engraçados da América.

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braziliant at 4:56 a.m.

Junho, 2005

There's no peace at the end of this..

Durante as Olimpiadas de 1972, em Munique, nove terroristas palestinos sequestraram e assassinaram brutalmente onze atletas árabes do time de luta. Baseado no livro “Vingança”, de George Jones, e com roteiro de Tony Kushner e Eric Roth, Munique conta a história da sequência dessa tragédia. Lynn Cohen, que interpreta a primeira-ministra Golda Meir, diz, “Toda civilização sente a necessidade de se comprometer com seus próprios valores”. Palavras poéticas que na verdade são justificativa para uma missão de busca e destruição.

É escolhido então um líder, Avner, interpretado por Eric Bana (Tróia) e uma equipe designada para encontrar e assassinar todos os envolvidos na ação terrorista. Onze nomes são identificados para a execução. Os assassinatos servirão como uma declaração para os palestinos.

Desde a impecável recriação das capitais européias no início dos anos 70 até o figurino e a fotografia, Munique é fascinante. O filme relata mais que uma história de vingança – sempre colocando em destaque o lado psicológico de seus personagens ao invés de detlhes de assassinatos políticos, o que eleva seu filme acima do geral.

Os terroristas não são estereotipados como histéricos e lunáticos – divergem do visivelmente nervoso, ao calmo Abu Salameh, com visual de estrela de cinema. São poetas, intelectuais e guerrilheiros, todos com uma história do conflito. Falam apaixonadamente sobre suas casas – um tema recorrente, como ‘família’.

Nenhum dos assassinatos é simples. Existem vizinhos, civis, e obstáculos que devem ser evitados e protegidos – com sucesso variável. Pessoas inocentes podem ser machucadas – e há de se viver com essa possibilidade. Não existe cálculo matemático que defina o potencial de uma bomba e seus estragos.

Ataques de consciência e paranóia logo tomam conta da equipe. Avner paga grandes quantias de dinheiro para obter informações sobre o paradeiro de seus alvos. Logo ele descobre que, independente de quem ele assassina, logo será substituído por outro, até pior, e ele também se torna uma isca. Assim descobre que a guerra nunca acaba.

Avner representa bem o desejo de vingança e, ao mesmo tempo, tem um olhar confuso e tão reconhecível para todos nós – descobrindo no fim que sua causa ‘justa’ custaria sua alma. Seu choro ao escutar a voz de seu filho ao telefone é tão real como a dureza com que assassina suas vítimas.

Perspectivas e convicções podem mudar, às vezes de forma arrependedora. “Não pense a respeito, apenas faça”, diz Avner a um dos membros da equipe, ao expressar dúvida sobre a culpa do alvo. Mas, ao fim do filme, Avner precisa de provas de que os homens assassinados foram justificadamente mortos. Implausivel? Não, mas apenas quando ele está reunido com sua familia e experiências com a afeição da mulher e da filha é que ele se permite refletir de uma perspectiva diferente – seus alvos também tinham família – e se ele tivesse assassinado o homem errado?

A paranóia que permeia o mundo dos espiões e assassinos é construída gradualmente – a chegar ao ponto em que cada sobrevivente desconfia de todos os outros. O filme desagrada a muitos porque gostariam de ter alguma certeza, alguma perspectiva otimista, mas Spielberg não oferece nenhuma. Seria desonesto de sua parte oferecer uma comfortável ilusão.


Steven Spielberg expressa o seu melhor quando não está dirigindo filmes de ficção científica. O mundo de 1972 não mudou do que é agora: ao assistir os eventos de 9/11 e os interesses políticos que levaram ao horrível evento em solo americano – antes um conceito inimaginável – se torna questionável se atrás de cada Saddam, Osama, não existem dezenas, centenas, esperando, com mais razões ainda para odiar o Ocidente por enfiar o nariz em assuntos alheios. Avner, apesar de judeu, questiona esses temas, e ele mesmo fica aterrorizado quando vai à América para viver uma vida longe do que ele mesmo está envolvido: o conflito sem fim entre Israel e Palestina, ambos brigando pelo que consideram sua casa. Como diz um membro do PLO, “Lar é tudo que sabemos”.

Os radicais dos dois lados irão rejeitar o filme porque ousa mostrar ambos os lados como humanos e dignos de compreensão. Mas tentativas de compreender escolhas de violência e vingança como estratégias não significam de forma alguma concordar com elas. Certamente, qualquer pessoa que sair do cinema com a sensação de que o ‘Black September’ foi justificado em seus ataques está provavelmente protegendo uma ideia já projetada em sua cabeça. Ao invés disso, o filme mostra que independente de achar que um ou outro lado é justificado não importa – nenhum lado pode ganhar através de violência a essa altura.

Os árabes queriam que a violencia continuasse, acreditando que apenas um estado contínuo de guerra manteria Israel de devolver terra que eles viam ter sido conquistada com sua fé. Spielberg faz o que qualquer intelectual faria - apresenta situações e fatos históricos e faz você se decidir sozinho.

braziliant at 4:51 a.m.

Março, 2006

Lula e o bom senso

Em mais uma de suas retóricas improvisadas e embaralhadas, o presidente Lula solta o verbo e desafia o bom senso

Lula culpa o povo de ser acomodado. Para ele, o brasileiro é culpado pelos altos juros cobrados pelos bancos, por serem incapazes de “levantarem seus traseiros” da cadeira e transferirem suas contas para outro banco, em busca de taxas menores. Um comentário bastante inapropriado vindo do presidente do país com os juros mais altos do mundo: 19,5%.

O informalismo e improviso do presidente são sempre motivo de polêmica, pois o levam a fazer críticas sem sentido. Ao culpar o povo e a “classe mais sabida intelectualmente”, vulgo classe média, Lula subestima o brasileiro e mostra uma visão superficial e binária quanto às classes sociais: ricos, pobres, luta de classes. O presidente da nação parece um sindicalista frente a um grupo de grevistas, esquecendo-se que não é mais oposição – não adianta culpar os outros.

Cansados de pagar uma carga tributária absurda, os brasileiros sabem a enorme burocracia que é abrir conta em banco – não compensando saírem trocando a seu bem entender, até porque as taxas de juros são flutuantes, com variação de 1,5% do mais caro ao mais barato. Lula parece ignorar o fato de os juros serem levados à estratosfera pelo Banco Central, com o motivo de estabilizar a economia e conter a inflação.

O fato de o presidente não ter formação suficiente para exercer o cargo máximo da nação fica cada vez mais evidente. Culpar o povo mostra enorme desconhecimento e revela que o presidente não tem a menor idéia do que fala. Ao criticar a classe média, Lula parece haver se esquecido que foi ela quem decidiu sua eleição – e, se irritada, como está, poderá decidir sua reeleição negativamente, também.

O informalismo do presidente, que o diferenciava da arrogância do antigo presidente Fernando Henrique Cardoso, agora está criando problemas para ele. É inaceitável que um presidente use termos chulos e diga ao povo para “levantar o traseiro da cadeira”.

braziliant at 4:42 a.m.

Ana Carolina

braziliant at 4:40 a.m.

Brazilliant

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